A Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência (AnaPcD) protocolou uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar a ausência de regulamentação da avaliação biopsicossocial da deficiência no Brasil. Esse movimento surge em resposta à falta de um modelo padronizado, que deveria ser implementado conforme a Lei Brasileira de Inclusão, estabelecida em 2015.
A Lei 13.146/15, que visa garantir os direitos das pessoas com deficiência, previa um prazo de dois anos para a criação desse modelo de avaliação. Contudo, esse período expirou em janeiro de 2018, e até o momento não houve a criação de diretrizes claras que possam servir de base para as avaliações necessárias.
A avaliação biopsicossocial é um processo abrangente que leva em consideração não apenas o diagnóstico médico, mas também fatores biológicos, psicológicos e sociais. Essa abordagem é essencial para entender as condições de vida das pessoas com deficiência e as barreiras que podem limitar sua participação plena na sociedade.
Na ação, a AnaPcD solicita que sejam estabelecidos critérios que considerem todos esses fatores na avaliação da deficiência, em vez de se restringir apenas ao aspecto médico. Segundo a associação, a falta de uma regulamentação eficaz compromete a aplicação de direitos fundamentais que deveriam ser garantidos a essa população.
A ministra Cármen Lúcia, relatora do caso, seguiu o procedimento previsto no artigo 12-F da Lei 9.868/99, que se aplica a situações de urgência e relevância. A magistrada requisitou informações das autoridades competentes para esclarecer a alegada omissão na regulamentação, com um prazo de cinco dias para que se manifestem.
A discussão em torno da avaliação biopsicossocial de deficiência é crucial não apenas para o reconhecimento dos direitos das pessoas com deficiência, mas também para a construção de uma sociedade mais inclusiva. A decisão do STF poderá estabelecer precedentes importantes para a implementação de políticas públicas que garantam a igualdade de oportunidades e a dignidade das pessoas com deficiência no Brasil.
